A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) projeta receber R$ 5,76 bilhões em 2027, mas estima despesas de R$ 5,93 bilhões. A diferença representa um déficit previsto de R$ 169,3 milhões, equivalente a quase 3% da receita estimada. Os valores constam na proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA), enviada à Câmara Municipal.
A previsão de receita representa um crescimento de quase 21% em relação ao orçamento aprovado para 2026, de R$ 4,77 bilhões. A expansão, porém, não significa que a arrecadação de impostos municipais aumentará na mesma proporção: a proposta inclui recursos de empréstimos e transferências destinadas a investimentos.
Na justificativa encaminhada aos vereadores, a prefeita Margarida Salomão associa a ampliação do orçamento à reconstrução da cidade após as chuvas. Sobre o déficit, a administração manifesta a expectativa de zerar a diferença durante 2027, mas não detalha quais ajustes serão adotados.
Empréstimos e recursos federais compõem o orçamento
A proposta prevê R$ 522,2 milhões em operações de crédito, ou seja, empréstimos, e R$ 677 milhões em transferências de capital do governo federal. Juntas, essas duas fontes somam aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
As transferências de capital são recursos destinados a investimentos, como obras e infraestrutura. Já as operações de crédito representam dinheiro obtido por financiamento, com obrigação de pagamento posterior.
Por isso, o crescimento do orçamento precisa ser observado também pela origem das receitas. Parte da expansão depende da entrada de recursos externos, e não apenas da arrecadação própria de Juiz de Fora.
A reconstrução após as chuvas é uma das principais razões apresentadas pela Prefeitura para o aumento dos valores previstos. O apoio do governo Lula à recuperação da cidade integra esse contexto, segundo o documento enviado aos vereadores. Isso não significa, porém, que todas as transferências federais previstas no orçamento sejam destinadas exclusivamente à reconstrução.
Proposta reserva recursos para drenagem, encostas e abastecimento
Entre os investimentos previstos, aparecem ações de drenagem, contenção de encostas, recuperação da área central e ampliação do abastecimento de água.
| Ação prevista | Valor aproximado |
|---|---|
| JF+100 — Águas do Futuro | R$ 432,3 milhões |
| Contenção de encostas | R$ 290,6 milhões |
| Outra ação de drenagem urbana | R$ 61,2 milhões |
| Ampliação e reforço do sistema de abastecimento de água | R$ 60 milhões |
| Reabilitação da área central | R$ 35 milhões |
| Qualificação das margens do Rio Paraibuna | R$ 27,5 milhões |
Os valores são previsões orçamentárias. A inclusão na LOA estabelece espaço para essas despesas, mas a execução depende da disponibilidade dos recursos e do andamento de cada projeto.
Como a Prefeitura pretende zerar o déficit?
Mesmo com o crescimento das receitas, as despesas propostas superam o dinheiro que o município estima receber. A diferença é de R$ 169.307.829,02.
Na justificativa enviada à Câmara, Margarida relaciona o déficit aos gastos para enfrentar a calamidade e à manutenção das políticas sociais. A prefeita manifesta a expectativa de ajustar o orçamento e zerar essa diferença até o fim de 2027.
O documento, entretanto, não especifica quais medidas serão usadas para alcançar esse resultado. Não há, nessa justificativa, detalhamento de quanto dependeria de receitas adicionais ou de redução das despesas previstas.
O déficit apresentado é uma projeção na proposta orçamentária. O resultado efetivo de 2027 dependerá de quanto o município arrecadar e gastar ao longo do ano.
Orçamento ainda será analisado pela Câmara
A LOA estima as receitas e fixa as despesas do município para o próximo ano. A proposta enviada pela Prefeitura será analisada pelos vereadores e poderá receber alterações antes da votação. A previsão é que o debate sobre a LOA se estenda até dezembro.