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22/09/2026
Maria Angélica
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Zuenir Ventura, jornalista e escritor, morre aos 95 anos no Rio de Janeiro

Mineiro de Além Paraíba, imortal da Academia Brasileira de Letras construiu mais de seis décadas de carreira e deixou obras marcantes sobre a história e a sociedade brasileira
Zuenir Ventura, jornalista e escritor, morre aos 95 anos no Rio de Janeiro
Foto: Leo Martins/Agência O Globo

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual fazia parte desde 2015. Segundo informações divulgadas pela ABL, a causa da morte foi uma pneumonia.

Nascido em Além Paraíba, na Zona da Mata de Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir Ventura dedicou mais de seis décadas ao jornalismo e à literatura. Ao longo da carreira, acompanhou diferentes períodos da história brasileira e transformou acontecimentos políticos e questões sociais em reportagens, livros e crônicas.

Entre suas obras mais conhecidas está 1968 – O ano que não terminou, lançado em 1988. O livro recupera acontecimentos que marcaram aquele período e se tornou uma das referências da produção jornalística e literária sobre a história recente do país. A obra também inspirou a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo.

Zuenir Ventura deixou obras marcadas pelo jornalismo e pela memória

A trajetória do jornalista também foi marcada pela cobertura de temas sociais e pela investigação de episódios que atravessaram a história brasileira. Em 1989, uma série de reportagens sobre Chico Mendes, publicada no Jornal do Brasil, rendeu a Zuenir o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

Outro trabalho de destaque foi Cidade partida, publicado em 1994. O livro-reportagem abordou a violência no Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem. Anos depois, Zuenir também publicou Chico Mendes – Crime e Castigo, além de outras obras dedicadas à memória, à cultura e às transformações da sociedade brasileira.

A carreira também passou por importantes veículos de comunicação. Zuenir trabalhou em publicações como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Mais tarde, tornou-se colunista de O Globo, mantendo a produção jornalística ao longo de décadas.

Em 2008, recebeu uma homenagem da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil. Em 2010, foi escolhido como “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

Jornalista ocupava cadeira de Ariano Suassuna na ABL

A relação de Zuenir Ventura com a Academia Brasileira de Letras começou em 2014, quando foi eleito para a cadeira 32, que havia sido ocupada anteriormente pelo escritor Ariano Suassuna. A posse ocorreu em 6 de março de 2015.

A entrada na ABL marcou uma nova etapa de uma trajetória que já havia aproximado jornalismo, literatura e memória. Como acadêmico, Zuenir continuou escrevendo e participando das atividades da instituição, mantendo também sua produção como cronista.

Com a morte aos 95 anos, o jornalista deixa uma trajetória construída ao longo de décadas de trabalho e uma produção que ajudou a registrar diferentes momentos do Brasil. Seus livros e reportagens permanecem como parte da memória do país e da história do jornalismo brasileiro.

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