Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado em diferentes regiões do país a partir das 22h desta quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas pela categoria após as negociações da Campanha Salarial 2026 terminarem sem acordo entre os funcionários e a empresa.
A decisão foi comunicada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), que informou a adesão de sindicatos de diversos estados. A categoria também havia recorrido a tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas as negociações não resultaram em um consenso.
Entre os principais pontos de discordância está o plano de saúde dos trabalhadores, aposentados e familiares. Os funcionários são contrários a mudanças no benefício e também reivindicam a preservação de direitos e o atendimento às demais demandas apresentadas durante a campanha salarial.
Os Correios afirmam que apresentaram uma proposta que contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Segundo a empresa, o texto prevê reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência desde 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Empresa anuncia medidas durante a paralisação
Com o início da greve, os Correios colocaram em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios para tentar reduzir os efeitos da paralisação sobre os serviços postais. Entre as medidas anunciadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e mudanças nos procedimentos logísticos.
De acordo com a empresa, as ações têm o objetivo de manter a regularidade das entregas e diminuir possíveis impactos para os clientes enquanto durar o movimento. O funcionamento dos serviços, no entanto, pode variar conforme a adesão dos trabalhadores em cada localidade.
Greve ocorre em meio a crise financeira
A paralisação também acontece em um momento de dificuldades financeiras para os Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de prejuízo e registrou resultado negativo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.
Apesar do cenário, o prejuízo do segundo trimestre foi menor do que os registrados no primeiro trimestre de 2026 e no quarto trimestre de 2025. A redução indica uma desaceleração das perdas após o resultado recorde negativo registrado no início deste ano.
Os Correios também aguardam a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, previsto para ocorrer até 15 de setembro. A operação deve envolver um grupo de bancos, incluindo instituições financeiras estrangeiras e o Banrisul.
No fim de 2025, a empresa havia contratado um financiamento de R$ 12 bilhões. O novo crédito já constava nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre deste ano, divulgadas no fim de agosto.
A greve não tem prazo definido para terminar. A retomada das atividades dependerá do andamento das negociações entre os representantes dos trabalhadores e os Correios.
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