O deputado federal e ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (28) que será candidato ao Senado nas eleições de 2026. O tucano voltou atrás menos de um mês depois de anunciar que não disputaria nenhum cargo eletivo e passa a integrar o palanque de Alexandre Kalil (PDT) ao Governo de Minas.
Apesar da aliança estadual, Aécio deixou claro que não acompanhará automaticamente o apoio a Lula (PT) na disputa presidencial. O ex-governador procurou se colocar em uma posição independente entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que, se eleito senador, pretende dialogar com qualquer um que seja escolhido presidente.
A mudança de planos ocorreu depois das desistências de Marcelo Heringer (PDT) e Gustavo Galassi (PSDB), que haviam sido apresentados como candidatos ao Senado pela chapa. As renúncias abriram espaço para a entrada de Aécio na disputa.
Aécio diz que “mudou de rota”
A confirmação ocorreu durante entrevista coletiva nesta sexta-feira. Ao anunciar a decisão, Aécio afirmou que reconsiderou a posição diante das articulações realizadas nos últimos dias.
“Eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota. Mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais.”
Nas redes sociais, o presidente nacional do PSDB afirmou que, desde o anúncio de que ficaria fora da eleição, passou a ser procurado por apoiadores de diferentes regiões do estado.
Segundo Aécio, essas conversas reforçaram a avaliação de que sua experiência poderia contribuir para Minas, especialmente diante da situação da dívida estadual.
“Então decidi: serei candidato. Peço a sua ajuda para ser o senador de todos os mineiros. Bora juntos?”, publicou.
Aécio entra no palanque de Kalil, mas não adere a apoio a Lula
A candidatura também cria uma composição política particular na chapa de Alexandre Kalil. Apesar de passar a integrar o palanque do candidato do PDT ao Governo de Minas, Aécio deixou claro que pretende manter uma posição própria na eleição presidencial.
Questionado sobre como se posicionaria em uma aliança que reúne diferentes campos políticos, o tucano buscou se afastar tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro.
“É natural que tenham candidatos mais próximos ao presidente Lula à esquerda, candidatos mais próximos ao bolsonarismo, mais à direita. É legítimo que eles busquem esse espaço.”
Aécio afirmou que respeitará os diferentes posicionamentos dentro da aliança estadual e que, caso seja eleito, pretende manter diálogo institucional independentemente do resultado da eleição presidencial.
“Eu vou respeitá-los sempre, mas, repito, serei o senador de Minas Gerais em condições de dialogar e defender os nossos interesses com qualquer presidente da República que seja escolhido pelos brasileiros.”
O ex-governador também reconheceu a relação do PDT com o atual presidente, mas apresentou a composição eleitoral construída no estado como uma aliança baseada na política mineira.
“Nós respeitamos a trajetória do PDT, a sua opção nacional. Nós estamos fazendo aqui uma opção por Minas Gerais.”
Aécio acrescentou que considera positivo ter ao seu lado um partido que dialoga com Lula e que espera também contar com apoiadores ligados a outro campo político.
Tucano havia anunciado que não seria candidato
A mudança ocorre poucas semanas depois de Aécio anunciar justamente o contrário.
No início de agosto, ele informou que não disputaria nenhum cargo nas eleições de 2026. A decisão faria deste ano a primeira eleição em aproximadamente quatro décadas sem o tucano concorrendo a um mandato.
Na ocasião, Aécio afirmou que pretendia concentrar esforços na presidência nacional do PSDB.
“A política, como a vida, é feita de acertos e desacertos, de vitórias e derrotas. E é construída também pelas circunstâncias e pelas prioridades que escolhemos.”
Na mesma manifestação, afirmou que havia decidido, “após todos esses anos”, não ser candidato a nenhum cargo eletivo em 2026.
O cenário mudou após as desistências de Marcelo Heringer e Gustavo Galassi e a pressão de lideranças próximas para que Aécio reconsiderasse a decisão.
Aécio Neves volta a uma disputa que já conhece
Caso tenha a candidatura efetivamente registrada e seja eleito, Aécio retornará a uma função que já exerceu.
O tucano foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. Naquele ano, deixou o governo e foi eleito senador pelo estado, exercendo mandato até 2018.
Aécio também presidiu a Câmara dos Deputados e disputou a Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno e foi derrotado por Dilma Rousseff (PT).
Depois do mandato no Senado, voltou à Câmara dos Deputados, sendo eleito em 2018 e reeleito em 2022. Atualmente, além do mandato de deputado federal, ocupa a presidência nacional do PSDB.