Juiz de Fora recebe neste sábado (20) uma mobilização voltada ao enfrentamento da violência contra as mulheres e ao combate ao feminicídio. O ato público, denominado “Elas Têm Nome”, está marcado para as 10h, com concentração em frente ao Cine-Theatro Central, no Calçadão da Rua Halfeld. A programação prevê uma caminhada até a Câmara Municipal e ocorre em meio ao aumento dos casos registrados em Minas Gerais e em todo o país.
Aberta à participação da população, a manifestação pretende ampliar o debate sobre a violência de gênero e lembrar vítimas que tiveram suas vidas interrompidas por esse tipo de crime. Os organizadores também convidam os participantes a utilizarem roupas brancas como símbolo de solidariedade e de defesa da paz.
A realização do ato acontece em um momento de preocupação crescente com os indicadores de violência contra a mulher. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio apenas nos três primeiros meses de 2026, o equivalente a uma mulher assassinada a cada cinco horas e meia, em média. O número representa aumento em relação ao mesmo período do ano passado.
Em Minas Gerais, os dados mais recentes também acendem um alerta. Informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizadas 82 tentativas de feminicídio e 63 mortes consumadas.
Caso recente em Belo Horizonte reforça alerta sobre violência contra a mulher
O cenário de violência retratado pelas estatísticas também se reflete em ocorrências registradas recentemente em Minas Gerais. Na última segunda-feira (15), um homem foi preso em Belo Horizonte suspeito de tentar matar a ex-noiva, em um caso que voltou a evidenciar a recorrência das agressões contra mulheres e os desafios enfrentados na prevenção desse tipo de crime.
Segundo a Polícia Militar, a vítima, uma empresária de 37 anos, foi espancada e estrangulada até perder a consciência dentro de um salão de beleza na capital mineira. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela foi carregada desacordada para um carro pelo suspeito.
As investigações apontam que o homem já havia sido denunciado anteriormente por outras mulheres por ameaças, perseguição e descumprimento de medidas protetivas. Registros policiais indicam ocorrências relacionadas à violência doméstica desde 2013, incluindo relatos de intimidação, agressões e desrespeito a decisões judiciais que proibiam contato com as vítimas.
O caso ocorre em um contexto no qual especialistas e entidades de defesa dos direitos das mulheres alertam para a importância da denúncia e do fortalecimento das redes de proteção. Embora cada ocorrência tenha características próprias, os feminicídios e as tentativas de feminicídio costumam ser precedidos por episódios de violência física, psicológica ou perseguição praticados por parceiros ou ex-companheiros.
Caminhada e homenagem às vítimas
A programação do ato prevê atividades de sensibilização ainda durante a concentração no Centro de Juiz de Fora. Em seguida, os participantes seguirão até a Câmara Municipal, onde serão realizadas manifestações e intervenções simbólicas voltadas à reflexão sobre os impactos da violência de gênero.
Durante a mobilização, também está prevista uma homenagem às mulheres vítimas de feminicídio. A proposta é lembrar que, por trás dos números divulgados em levantamentos oficiais, existem histórias, famílias e trajetórias interrompidas pela violência.
A iniciativa reúne instituições que atuam diretamente no acolhimento, atendimento e proteção de mulheres em situação de violência, entre elas a Casa da Mulher, o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a Radiopatrulha de Proteção à Mulher da Polícia Militar, a Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Casa de Therta e a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica (Rediv). A expectativa é que a mobilização contribua para ampliar o debate sobre o feminicídio e reforçar a importância da prevenção e da denúncia diante de um problema que continua presente em Minas Gerais e em todo o país.



