Uma confusão envolvendo uma paciente grávida, familiares e profissionais de saúde terminou com o fechamento antecipado da UBS São Judas Tadeu, em Juiz de Fora, na tarde desta quinta-feira (28). Segundo informações registradas pela Polícia Militar, funcionários da unidade relataram medo de agressões após ameaças direcionadas a uma médica durante o atendimento. O caso aconteceu em meio ao aumento da preocupação de servidores da rede municipal com episódios de violência dentro das unidades públicas de saúde da cidade.
De acordo com os relatos da ocorrência, a paciente chegou à UBS acompanhada da mãe e procurava um encaminhamento para atendimento hospitalar. Ainda conforme os funcionários, ela teria solicitado para não ser atendida por uma das médicas da unidade por causa de desavenças anteriores.
Como o outro profissional disponível realizava consultas naquele momento, a orientação foi para que a paciente aguardasse atendimento. Cerca de duas horas depois, a situação teria se agravado na recepção da unidade.
Segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Militar, a mãe da paciente passou a reclamar da demora de forma exaltada e teria feito ameaças contra a médica responsável pelo atendimento.
Servidores interromperam atendimentos por receio de agressões
O clima de tensão provocado pela confusão fez com que os atendimentos fossem encerrados antes do horário habitual na UBS São Judas Tadeu. Ainda conforme os relatos registrados pela PM, parte dos servidores se recolheu em salas internas da unidade enquanto aguardava a chegada da polícia.
Funcionários relataram insegurança diante da situação e afirmaram que não havia condições para continuidade dos atendimentos naquele momento.
O caso reacendeu discussões sobre a falta de segurança enfrentada por profissionais da rede pública de saúde em Juiz de Fora, especialmente após outros episódios recentes registrados em unidades municipais.
Nos últimos dias, um médico foi agredido dentro da UBS São Benedito após uma confusão envolvendo a ordem de atendimento da unidade. Pouco depois, uma técnica de enfermagem também denunciou ter sido atacada por uma acompanhante dentro do Hospital de Pronto Socorro (HPS).
Os casos provocaram manifestações de servidores da saúde e cobranças por reforço na segurança das unidades municipais.
Prefeitura repudiou ameaças contra médica
Em nota divulgada após a ocorrência, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) repudiou as ameaças sofridas pela médica e afirmou que não tolera qualquer forma de violência contra profissionais da rede municipal de saúde.
A administração municipal informou ainda que a ocorrência foi acompanhada pelas forças de segurança e que a paciente envolvida assinou um termo de compromisso para prestar esclarecimentos posteriormente à polícia.
Segundo a Prefeitura, a UBS São Judas Tadeu foi fechada às 17h40 por questões de segurança, mas retomou o funcionamento normalmente nesta sexta-feira (29).
Ainda conforme o Executivo, a médica recebeu acompanhamento após o episódio, passou por avaliação médica e optou por continuar exercendo suas atividades na unidade.