A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou que prepara uma retratação pública relacionada ao uso de corpos provenientes do Hospital Colônia de Barbacena em atividades acadêmicas no século passado. A informação foi confirmada por meio de nota à imprensa, na qual a instituição também comunica a realização de uma apuração interna para esclarecer o contexto em que 67 cadáveres, incorporados entre 1969 e 1981, foram utilizados no ensino de anatomia em cursos da área da saúde.
No posicionamento, a universidade reconhece a gravidade das práticas históricas e afirma que o levantamento em andamento busca reunir dados e documentos sobre o período. A UFJF ainda indica que pretende apresentar, em momento oportuno, um posicionamento formal à sociedade brasileira.
Debate ganha força após posicionamento da UFMG
A repercussão sobre o caso se intensificou após a Universidade Federal de Minas Gerais divulgar, em março, um pedido público de desculpas relacionado ao uso de corpos provenientes da mesma instituição psiquiátrica. A declaração, assinada pela então reitora Sandra Goulart Almeida, reconheceu a prática e anunciou medidas voltadas à preservação da memória, como a inclusão do tema em disciplinas e a recuperação de registros históricos.
A manifestação também ressaltou o contexto de violações de direitos humanos associadas ao Hospital Colônia de Barbacena, que, ao longo do século XX, recebeu milhares de pessoas em condições consideradas desumanas. Muitas delas morreram no local e, em diversos casos, tiveram os corpos destinados a instituições de ensino sem consentimento familiar.