Desde o último domingo (19), o preço mínimo do cigarro no Brasil passou a ser de R$ 7,50. O reajuste de R$ 1 foi definido pelo Ministério da Fazenda como uma medida para compensar a redução de impostos sobre combustíveis, impactados pelo cenário internacional, incluindo a guerra no Oriente Médio.
Apesar do aumento, especialistas avaliam que o novo valor ainda é insuficiente para conter o avanço do tabagismo no país. Isso porque o Brasil segue com um dos preços mais baixos da América do Sul, ocupando a terceira posição no ranking regional.
Número de fumantes volta a crescer após duas décadas
O aumento no preço acontece em um momento de alerta na saúde pública. Pela primeira vez em cerca de 20 anos, o Brasil registrou crescimento no número de fumantes.
Dados recentes apontam que a proporção de pessoas que fumam subiu de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, uma alta de aproximadamente 25%.
Especialistas destacam que políticas de aumento no preço do cigarro foram fundamentais, no passado, para reduzir o consumo no país. Entre os anos 1990 e 2015, o Brasil conseguiu diminuir significativamente o número de fumantes justamente com medidas mais rígidas, incluindo a elevação de impostos.
No entanto, o congelamento dos reajustes por vários anos teria contribuído para o cenário atual. Segundo análises, se a política anterior tivesse sido mantida, o preço mínimo do cigarro já poderia estar próximo de R$ 10.
O cigaddo e o impacto na saúde e nos gastos públicos
O tabagismo segue sendo um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, associado a dezenas de doenças, como câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias.
Além dos impactos na saúde, o custo econômico também é elevado. Estimativas indicam que os gastos com doenças relacionadas ao cigarro superam, em muito, a arrecadação de impostos sobre o produto.
Diante desse cenário, especialistas defendem que novos reajustes e políticas mais rigorosas podem ser necessários para conter o avanço do consumo, especialmente entre os mais jovens.