Agências bancárias de Juiz de Fora têm registrado filas extensas nos dias de pagamento de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), principalmente no 5º dia útil de cada mês, quando os valores são depositados. O aumento no tempo de espera ocorre porque novos segurados não estão recebendo cartões para saque em caixas eletrônicos, o que os obriga a procurar atendimento presencial nos bancos para retirar o dinheiro.
A situação tem levado centenas de beneficiários a se concentrarem nas agências desde as primeiras horas do dia. Sem acesso ao autoatendimento, essas pessoas passam a depender diretamente dos caixas, o que impacta o fluxo de atendimento e amplia o tempo de permanência nas filas.
Segundo o Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora e Região, o cenário é mais evidente em unidades com maior volume de clientes, como a agência do Bradesco localizada na Avenida Rio Branco. No entanto, a concentração de pessoas também tem sido registrada em outras instituições financeiras da cidade, como Caixa Econômica Federal e Itaú, especialmente nas datas de pagamento.
Redução de agências intensifica sobrecarga
Além da mudança no acesso aos benefícios, a redução no número de agências bancárias tem contribuído para o aumento da demanda nas unidades em funcionamento. Com menos pontos de atendimento disponíveis, o fluxo de clientes se concentra em locais específicos, intensificando a formação de filas e a lotação dos espaços.
De acordo com o sindicato, esse cenário tem impactado diretamente as condições de trabalho dos bancários, que enfrentam pressão para atender um grande volume de pessoas em um curto período de tempo.
Situação gera tensão e afeta trabalhadores
O acúmulo de clientes em busca de atendimento tem provocado episódios de tensão dentro das agências. Há registros de discussões e até conflitos entre usuários, motivados pela demora nas filas, incluindo casos de desentendimento em caixas eletrônicos por tentativa de furar a ordem de atendimento.
Além do impacto para os clientes, o cenário também tem reflexos na saúde dos trabalhadores. Bancários relatam sintomas como dor de cabeça, ansiedade e desconforto auditivo, associados ao excesso de ruído e à pressão cotidiana nas agências, somados à necessidade de cumprir metas e lidar com longas filas simultaneamente.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do INSS desde o dia 12 de março para esclarecer os motivos da não emissão de cartões aos novos beneficiários, mas não obteve retorno até o momento.
Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.