Na última segunda, 2 de março, Juiz de Fora completou exatamente uma semana da tempestade que provocou deslizamentos, mortes e deixou centenas de famílias fora de casa. Apesar do encerramento das buscas por vítimas no município, o cenário ainda é de incerteza para muitos moradores que seguem desalojados.
O corpo do último desaparecido na cidade, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado no sábado (28), no bairro Paineiras. Com isso, as buscas em Juiz de Fora foram oficialmente encerradas.
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o número total de mortos chegou a 72 no domingo (1º), sendo 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá. Uma pessoa continua desaparecida em Ubá.
Medo e incerteza no Paineiras
No bairro Paineiras, área atingida pelo deslizamento no Morro do Cristo na noite de 23 de fevereiro, famílias ainda não puderam retornar às suas residências. A Defesa Civil orientou a retirada dos moradores diante do risco de novos desmoronamentos, principalmente pela instabilidade da encosta.
O engenheiro civil Guilherme Belini Golver, que mora com os pais em um casarão na rua atingida, contou que saiu de casa durante o temporal e, pouco depois, recebeu a notícia da tragédia. “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”, relatou em entrevista.
Desde então, a família não conseguiu permanecer no imóvel. Ele retorna apenas para tentar limpar a lama e vigiar a casa, que ficou vulnerável. “Limpar, tentar acabar com esse lamaçal. E também ficar de olho na casa, que ficou vulnerável.”
Na mesma rua, um policial penal morreu durante o deslizamento. Em prédios próximos, moradores improvisaram rotas de fuga entre apartamentos para escapar. O motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos, relatou que ajudou a salvar vizinhos. “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Isso, salvamos todo mundo.”
Uma semana depois, moradores aguardam autorização para retirar documentos e pertences dos imóveis interditados. Muitos relatam dificuldades para se alimentar, dormir e recomeçar. A cidade entra agora em uma fase de reconstrução, mas para dezenas de famílias, o retorno à normalidade ainda parece distante.