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Antes dos prédios, havia água: A história da Lagoa da Gratidão, no coração de Juiz de Fora

Onde hoje é o Largo do Riachuelo, no Centro de Juiz de Fora, existiu uma lagoa de 55 mil m² que marcou o início da urbanização da cidade.
Lagoa da Gratidão era representada na Planta de Juiz de Fora de 1883
Lagoa da Gratidão na Planta de Juiz de Fora de 1883 (Foto: Divulgação/Luciano Caramez)

Onde hoje há prédios, asfalto e intenso fluxo de veículos, já existiu muita água. No coração do Centro de Juiz de Fora, mais precisamente na região do atual Largo do Riachuelo, funcionou por décadas a chamada Lagoa da Gratidão, um dos elementos naturais mais importantes da paisagem original da cidade.

A lagoa tinha cerca de 55 mil metros quadrados e existia quando o velho Halfeld abriu o Caminho Novo, eixo que daria origem ao que hoje é a Avenida Barão do Rio Branco. Naquele período, a região central de Juiz de Fora era marcada por áreas alagadiças e pantanosas, resultado da abundância de cursos d’água e da topografia natural do vale do Rio Paraibuna.

Lagoa da Gratidão era vista como obstáculo ao progresso

Com o crescimento urbano e a necessidade de expansão da cidade, a Lagoa da Gratidão passou a ser vista como um entrave ao desenvolvimento urbano. Para permitir novas construções e a consolidação do Centro, a lagoa foi aterrada, em um processo típico das cidades brasileiras no final do século XIX e início do século XX.

O aterro foi feito, em grande parte, com terra retirada do Morro do Pedro Schubert, localizado na região onde hoje está o Museu Murilo Mendes. A partir desse processo, a área antes ocupada pela lagoa foi gradualmente urbanizada, abrindo espaço para ruas, edifícios e atividades comerciais.

Do alagadiço ao Largo do Riachuelo

Após o aterramento, a região passou a se consolidar como uma importante área urbana e, anos depois, recebeu o nome de Largo do Riachuelo, em homenagem à Batalha do Riachuelo, um dos confrontos mais emblemáticos da Guerra do Paraguai.

O local se tornou um ponto estratégico do Centro, integrando o traçado viário e acompanhando o processo de verticalização que transformou definitivamente a paisagem da área.

Novo nome, mesma história

Em 2025, a praça localizada no Largo passou a se chamar Praça Clodesmidt Riani, em homenagem a um dos mais importantes sindicalistas brasileiros, figura central do movimento trabalhista nas décadas de 1950 e 1960 e nome de forte ligação com a história social e política de Juiz de Fora.

A mudança no nome atualiza a memória do espaço, mas não apaga o passado: debaixo do concreto, ali onde hoje circulam milhares de pessoas todos os dias, já existiu uma grande lagoa, fundamental para entender a formação urbana da cidade.

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