Uma confusão envolvendo a cobrança de R$ 71,91 por um pedido de comida terminou com cerca de 30 motociclistas reunidos em frente a uma residência no bairro Aeroporto, em Juiz de Fora, no último domingo (4). Segundo o boletim de ocorrência, integrantes do grupo chutaram e derrubaram o portão da garagem, arremessaram pedras e lançaram rojões e fogos de artifício em direção à varanda do imóvel.
O caso teve início depois que um pedido feito por aplicativo foi entregue e posteriormente cancelado. Segundo o registro policial, responsável pela entrega retornou à residência para cobrar o valor, pois teria sido informado pelo estabelecimento que os R$ 71,91 seriam descontados dele caso o pagamento não fosse realizado.
Cobrança terminou em briga
As versões registradas no boletim apresentam diferenças sobre o início da confusão. Um morador da residência afirmou que estava em casa com um amigo, que teria feito o pedido de quatro long necks e uma porção de fritas. Depois da entrega, esse amigo teria ido embora e cancelado o pedido.
Quando o entregador retornou para cobrar o valor, houve uma discussão que terminou em agressões físicas. O morador afirmou que o motofretista chegou exaltado e que os dois entraram em luta corporal, deixando-o com escoriações.
Já o entregador disse à PM que, ao retornar ao endereço para fazer a cobrança, o morador teria se recusado a pagar, cuspido em seu rosto e, em seguida, os dois trocaram socos e chutes. O motofretista também apresentou ferimentos nas mãos e nos joelhos, conforme seu relato.
Valor foi pago, mas grupo decidiu voltar ao imóvel
Depois da briga, o entregador afirmou ter relatado o episódio em um grupo de WhatsApp de motoboys da cidade. Três motociclistas se encontraram com ele e retornaram ao endereço.
Nesse segundo momento, a mãe do morador realizou o pagamento de R$ 71,91 via Pix diretamente para o estabelecimento. Segundo o entregador, ele chegou a publicar uma nova mensagem no grupo informando que a questão financeira estava resolvida.
Mesmo assim, conforme seu depoimento à PM, participantes do grupo começaram a sugerir que os motociclistas se reunissem no estacionamento do Estádio Municipal para ir até a residência e “cobrar respeito pela categoria”.
O entregador afirmou que tentou dissuadir os demais, mas acabou acompanhando o grupo após a insistência dos participantes.
Cerca de 30 motociclistas foram até a casa
Segundo o boletim, aproximadamente 30 motociclistas chegaram à residência. Inicialmente, começaram a acelerar as motos em alta rotação e buzinar.
Depois, alguns participantes teriam passado a chutar o portão da garagem, jogar pedras para dentro do imóvel e lançar rojões e fogos de artifício em direção à varanda. O portão acabou sendo derrubado.
A moradora afirmou à polícia que a ação provocou danos no imóvel e perturbou a tranquilidade da família.
O entregador reconheceu que estava no local e afirmou ter acelerado a motocicleta e buzinado como forma de protesto, mas negou participação nos atos de vandalismo. Segundo ele, após a derrubada do portão, o grupo se dispersou.
PM tenta identificar outros participantes
A Polícia Militar utilizou imagens divulgadas nas redes sociais para tentar identificar os envolvidos.
Além do entregador, os militares conseguiram identificar a placa de uma das motocicletas que aparece nas imagens. O proprietário do veículo não foi encontrado no endereço cadastrado.
O boletim foi registrado inicialmente como dano e encaminhado para as demais providências. A identificação dos responsáveis individualmente pelos danos ainda deverá ser apurada e o caso será investigado pela Polícia Civil.