O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra Mauro Costa de Oliveira, ex-gerente da Caixa Econômica Federal que atuou em agências de Juiz de Fora e São João del-Rei, acusado de criar empresas em nome de terceiros, manipular dados internos do banco e obter dezenas de empréstimos de forma irregular. O órgão afirma que o servidor movimentou R$ 876.917,78 em 24 operações bancárias realizadas entre 2016 e 2019, com indícios de que parte dos valores foi apropriada por ele.
De acordo com a ação, Mauro usava pessoas de sua confiança como “laranjas”, colocando-as como sócias ou responsáveis por empresas que, na prática, eram administradas por ele. Para viabilizar os empréstimos, o gerente alterava dados no sistema da Caixa, incluindo renda inexistente, profissões falsas e declarações de Imposto de Renda fantasmas, simulando condições que permitissem aprovar as operações. O MPF destaca ainda que as normas internas do banco proíbem empréstimos para empresas vinculadas a funcionários, o que torna o esquema ainda mais grave.
“Laranja” denuncia esquema de ex-gerente da Caixa
A denúncia começou após uma das mulheres usadas como “laranja” procurar a Caixa e relatar irregularidades. A análise forense de conversas por WhatsApp confirmou que o gerente buscou criar uma empresa em nome dela, ressaltando que não poderia constar formalmente no quadro societário. Ele também teria oferecido “salário” para que a denunciante atuasse como gestora fictícia do negócio.
Apesar de parte dos valores ter sido quitada por meio de descontos compulsórios, o MPF calcula que o dano final ao erário é de R$ 115.216,90, que fundamenta o pedido de condenação. Mauro foi afastado e posteriormente demitido por justa causa após um processo disciplinar interno na Caixa.
Na ação, o Ministério Público pede que o ex-gerente seja condenado por improbidade administrativa, com perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, multa civil e proibição de contratar com o poder público.
Em nota enviada ao Folha JF, a Caixa informou que “atua de forma colaborativa com as autoridades na prevenção e combate a fraudes” e que mantém monitoramento contínuo de seus produtos, serviços e transações “com o objetivo de proteger clientes e garantir a segurança do sistema financeiro”.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Mauro Costa de Oliveira. Caso ele se manifeste, este texto será atualizado.