O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, dominou os debates entre deputados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante a reunião ordinária de plenário desta terça-feira (2).
O tema dividiu opiniões: parlamentares do PL saíram em defesa do ex-presidente, enquanto deputados de esquerda ressaltaram a gravidade das acusações.
Para o deputado Eduardo Azevedo (PL), a abertura do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) representa um “dia trágico” para o Brasil. Ele afirmou que Bolsonaro está sendo punido por crimes que não cometeu e comparou sua situação à de figuras históricas como Tiradentes e até Jesus Cristo. No mesmo tom, o deputado Bruno Engler (PL) classificou a ação no STF como uma “farsa” e alegou perseguição política. “Cadê os tanques nas ruas?”, questionou, minimizando a acusação de tentativa de golpe.
Outros parlamentares do PL também criticaram a Suprema Corte. Caporezzo afirmou que a Justiça estaria sendo usada para atingir apenas um lado político e convocou manifestações em defesa de Bolsonaro, previstas para o próximo domingo (7), em São Paulo. Já o deputado Sargento Rodrigues disse que o julgamento marca o “dia da vergonha”, ao criticar a mudança de interpretação sobre foro privilegiado que manteve o processo no STF mesmo após o fim do mandato do ex-presidente.
Oposição enfatiza acusações no julgamento de Bolsonaro
Do outro lado, deputados de esquerda reforçaram a gravidade do caso. Bella Gonçalves (Psol) destacou que Bolsonaro responde a cinco crimes, incluindo tentativa de golpe e participação em organização criminosa armada, que podem somar até 46 anos de prisão. A parlamentar também ressaltou o ineditismo de ver generais de alta patente no banco dos réus.
O deputado Betão (PT), de Juiz de Fora, defendeu punição rigorosa. “Sem anistia! Cadeia para Bolsonaro e seus generais”, afirmou. Já Cristiano Silveira (PT) lembrou que um golpe não depende de tiros, mas de apoio institucional, citando a minuta encontrada que previa até o assassinato de autoridades, incluindo o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Ele ainda recordou os episódios de violência em Brasília, que deixaram mais de 40 agentes de segurança feridos.
O julgamento no STF segue em andamento e deve se estender pelos próximos dias, mantendo o clima de tensão política em Brasília e nos estados.