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20/10/2026
Matheus Brum
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Assédio Eleitoral em 2026 cresceu 7 vezes em relação à 2022, aponta MPT

Dados do Ministério Público do Trabalho apontam 614 denúncias de assédio eleitoral até setembro. Especialista explica como empresas devem agir diante de conflitos entre funcionários
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Foto: Reprodução/Freepick

As eleições de 2026 têm provocado discussões que ultrapassam o ambiente político e chegam também aos locais de trabalho. Comentários em grupos de WhatsApp, provocações entre colegas e divergências sobre candidatos podem gerar conflitos e, em determinadas situações, configurar assédio eleitoral.

Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), 614 denúncias de assédio eleitoral foram registradas até 25 de setembro deste ano. O número é mais de sete vezes superior às 85 denúncias contabilizadas até o fim de setembro de 2022.

Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos, com 2.080 profissionais, também aponta preocupação com o tema. Segundo o levantamento, 54,4% dos entrevistados evitam manifestar opiniões políticas por medo de sofrer prejuízos no trabalho. Outros 23,5% afirmam já ter enfrentado algum tipo de coação direta ou indireta por parte de superiores.

Quando uma discussão política passa a ser assédio?

De acordo com o professor Fernando Eduardo Cardoso, coordenador dos cursos de Administração e Gestão de Recursos Humanos da UNIASSELVI, discordâncias políticas são naturais, mas precisam respeitar os limites da convivência profissional.

“A empresa não precisa controlar o que as pessoas pensam, mas precisa deixar claro como os colaboradores podem tratar uns aos outros dentro do ambiente de trabalho”, explica.

O especialista explica que o problema começa quando a manifestação de uma opinião deixa de tratar de ideias e propostas e passa a atingir a dignidade de outra pessoa.

Insultos, ameaças, humilhações, perseguições, constrangimentos e tratamentos discriminatórios são exemplos de comportamentos que exigem providências por parte das empresas.

Segundo o professor, a resposta institucional deve ocorrer independentemente da posição política de quem pratica ou sofre a conduta.

Discussões políticas em grupos de WhatsApp também exigem atenção

Os conflitos não se restringem às conversas presenciais. Grupos corporativos de WhatsApp e outras plataformas de mensagens também devem seguir as regras de convivência profissional.

Para Fernando, as empresas podem estabelecer códigos de conduta que definam limites para a linguagem utilizada, manifestações ofensivas, ameaças e situações de discriminação.

“O grupo corporativo de mensagens continua sendo um espaço de trabalho e precisa obedecer às regras profissionais da organização”, analisa.

O especialista ressalta que estabelecer regras não significa proibir opiniões políticas, mas garantir que os trabalhadores sejam tratados com respeito.

Chefes podem pressionar funcionários a votar em determinado candidato?

O Ministério Público do Trabalho caracteriza como assédio eleitoral situações de coação, intimidação, ameaça ou constrangimento relacionadas à manifestação ou à escolha política de um trabalhador.

Isso inclui situações em que superiores hierárquicos utilizam sua posição para pressionar funcionários em razão de preferências eleitorais.

Fernando destaca que o papel das lideranças não é determinar qual posicionamento político está correto, mas impedir que as divergências comprometam o ambiente profissional.

“O papel da liderança em um conflito político não é decidir quem está certo politicamente, mas garantir que ninguém precise trabalhar em um ambiente de hostilidade”, destaca o professor.

Segundo ele, conflitos pontuais podem ser resolvidos por meio de conversas mediadas pelos gestores. Entretanto, quando há repetição de comportamentos ofensivos ou prejuízos ao relacionamento entre funcionários, a participação do setor de Recursos Humanos passa a ser importante.

Em situações que envolvam indícios de discriminação, assédio, ameaças ou retaliações, o especialista recomenda o acionamento dos setores jurídico e de compliance da empresa.

Empresas devem oferecer canais de denúncia de assédio eleitoral

Outro ponto destacado pelo professor é a importância de estabelecer canais internos para que trabalhadores possam relatar situações de constrangimento e assédio sem receio de retaliação.

Esses mecanismos precisam ter procedimentos claros sobre o recebimento, a análise e o encaminhamento das denúncias.

A Lei Federal nº 14.457/2022 prevê medidas de prevenção e combate ao assédio e a outras formas de violência no ambiente de trabalho para empresas abrangidas pelas exigências legais relacionadas à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipa).

Para Fernando, o objetivo é garantir que as divergências políticas não comprometam o respeito entre os trabalhadores.

A orientação é que as empresas adotem critérios de convivência aplicáveis a todos os funcionários, independentemente de suas preferências eleitorais, e intervenham sempre que uma discussão ultrapassar os limites do debate e resultar em ofensas, ameaças ou constrangimentos.

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