A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) estima gastar até R$ 28,9 milhões, ao longo de dois anos, com a demolição de imóveis atingidos pelas chuvas de fevereiro. As intervenções fazem parte do processo de reconstrução da cidade após o desastre que atingiu diferentes regiões do município.
Até o dia 2 de outubro, segundo informações divulgadas pela própria Prefeitura, 61 imóveis já haviam sido demolidos. Desde então, novas demolições foram realizadas no bairro Eldorado e começaram também no Dom Bosco. Neste último, a previsão é de derrubar 16 imóveis.
No Dom Bosco, as construções ficam na Rua Kátia Falconi. Segundo a Defesa Civil, um grande deslizamento ocorrido em 23 de fevereiro atingiu a área nos fundos das residências, deixou sapatas expostas e criou risco de queda das edificações em direção à Avenida Presidente Itamar Franco.
Por causa das características do terreno e da proximidade com outros imóveis, a operação exige equipamento de grande alcance e provocou alterações temporárias no trânsito da região.
Credenciamento prevê até R$ 28,9 milhões em demolições
O valor máximo aparece em um credenciamento aberto pela Prefeitura para a contratação de empresas responsáveis pelos serviços. A estimativa é de até R$ 28,9 milhões em um período de dois anos.
Até o momento, o Folha JF localizou três contratos relacionados às demolições: R$ 288 mil com a Montreal Construções, R$ 985 mil com a D&A Loc e R$ 1,698 milhão com a Martins Construção Civil e Ambiental.
Somados, os três contratos representam aproximadamente R$ 2,97 milhões.
O teto de R$ 28,9 milhões previsto no credenciamento, portanto, não significa que todo esse valor necessariamente será gasto. A despesa efetiva dependerá dos serviços demandados e das contratações realizadas ao longo do período.
Quantidade total de imóveis ainda não foi detalhada
Apesar da estimativa financeira, o Folha JF não encontrou, nos documentos consultados, o detalhamento de quantos imóveis poderão ser demolidos ao longo dos dois anos nem a distribuição dessas intervenções por bairros.
A reportagem procurou a Prefeitura de Juiz de Fora para obter essas informações, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
O número de imóveis já demolidos também deverá aumentar em relação aos 61 contabilizados até 2 de outubro, considerando as intervenções realizadas posteriormente no Eldorado e as 16 demolições previstas no Dom Bosco.
Famílias são encaminhadas ao Compra Assistida
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura nas operações de demolição, as famílias que ocupavam os imóveis condenados vêm sendo encaminhadas para soluções habitacionais antes da derrubada das construções.
No caso do Dom Bosco, a Defesa Civil informou que as 16 famílias das 16 moradias atingidas foram listadas para pleitear o Minha Casa, Minha Vida – Compra Assistida, programa do Governo Federal que permite a aquisição de outro imóvel.
As demolições são realizadas em edificações classificadas tecnicamente como destruídas ou definitivamente interditadas, sem condições de retorno seguro para moradia.